Não gosto de português, mas, sei que preciso.


Não gosto de português, mas, sei que preciso.

Você já parou para pensar em coisas que realmente não consegue degustar? - Acredito que sim. Se fôssemos enumerar algumas delas, possivelmente a página não caberia. É natural fazermos seleções do que gostamos e do que não gostamos.

Apesar de o direito de seleção que julgamos possa ser algo bem pessoal, no entanto, à medida que vamos amadurecendo, começamos a diferenciar e melhor analisar nossas escolhas. Algumas, verdadeiramente não queremos nem conversa. Enquanto outras, começamos a desenvolver um novo olhar.

Vou dar um exemplo pessoal. Quando criança, nunca fui achegado ao consumo de verduras como coentro, cebolinha, salsa, manjericão etc., porque, normalmente, qualquer criança associa o prazer de comer ao sabor do alimento. Caso não goste, com certeza não mais fará parte do seu cardápio.




É preciso reavaliar para mudar.

Porém, quando já temos certa maturidade a respeito dos benefícios que tais alimentos de gosto estranho e inaceitável propiciam à saúde, passamos a degustá-los com frequência, pois, como diz o velho ditado "saúde é o que interessa. O resto não tem pressa." Nisso todos concordamos.

A partir dessa analogia, quero convocar a todos os meus leitores a repensar o "sabor estranho" que muitos desenvolveram a respeito da língua portuguesa. Sim. Para muitos, o gosto é intragável. Só em pensar em construção textual já ficam de cara feia. Será que para tal ojeriza cabe uma reavaliação?

Já ouvi muitos afirmarem que quem é da área das Ciências Exatas não aprecia as demandas das Ciências Humanas. Bem, toda regra tem exceção, não é mesmo? Contudo, o tal ditado tem certa razão. Para muitos, é mais prático construir algo que pode ser comprovado por cálculos. 

Mesmo assim, posso afirmar que nenhuma área do conhecimento pode se abster de informar suas descobertas sem o uso da construção textual. A escrita estará sempre presente, principalmente nos enunciados das questões que forem idealizadas. É imprescindível!

Claro que você, mesmo não apreciando as muitas regras gramaticais da língua portuguesa e suas exigências, não precisará ser um PHD para partilhar informações. Mas, pelo menos, deverá ter um bom conhecimento da língua escrita e falada, pois, já pensou em construção textual e seus enunciados de questões matemáticas repletos de erros de gramática e falta de concordância?

Tenho certeza de que profissionais sempre preocupados com o perfil buscarão diferentes formas de mitigar tais coisas, pois, comprometeria a credibilidade. Enquanto profissionais de qualquer área do conhecimento e em se tratando da escrita em língua portuguesa, é necessário, conhecê-la mais.

Entendeu o recado?


Então, tal qual o não-prazer em degustar determinadas tipos de alimentos por conta do sabor desagradável, a apreciação pela língua portuguesa precisa ser revista por causa dos inúmeros benefícios que trazem à nossa "saúde intelectual" porque promove uma escrita saudável, clara e aprazível.

Acredito que após esta leitura, alguns começarão a repensar suas escolhas de degustação, principalmente quanto à nossa língua-mãe. Ela merece essa atenção carinhosa. Afinal de contas, mãe é mãe, concorda? Ninguém teve de direito de escolha.

Pense nisso!

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